O peso parece físico. Você fica na cama porque levantar exige uma força que você não tem. As pessoas ao seu redor irritam você. Você está cansado de suas perguntas e de seus chavões bem-intencionados. A rotina é insuportável. Você pode pensar que é mais simples simplesmente desaparecer.
Se isso lhe parece familiar, você não está apenas tendo uma semana ruim. Você provavelmente está lidando com depressão clínica. E esse estado mental não está apenas isolando você emocionalmente. Também está danificando o sistema cardiovascular.
O link histórico
Os pesquisadores especularam pela primeira vez sobre uma conexão entre doenças cardíacas e depressão no final da década de 1980. Desde então, os dados solidificaram essa ligação. A depressão não é apenas um efeito colateral de problemas de saúde cardíaca. É um fator contribuinte.
Os mecanismos são bastante simples.
Indivíduos deprimidos muitas vezes se envolvem em comportamentos que prejudicam o coração. Eles fumam mais. Eles bebem excessivamente. Eles evitam exercícios. Se já tiverem doenças cardíacas, é menos provável que tomem os medicamentos de forma consistente.
Mas é mais profundo do que escolhas de estilo de vida. O estresse mental aumenta a formação de placas nas artérias. A depressão também pode aumentar a produção de radicais livres e ácidos graxos. Este ambiente químico danifica o revestimento dos vasos sanguíneos.
Quem corre maior risco?
Os idosos são o grupo com maior probabilidade de sofrer desta combinação específica. Eles também são os menos propensos a procurar tratamento.
Entre 19 e 30 por cento das pessoas com 65 anos ou mais apresentam sinais de depressão. As mulheres geralmente relatam taxas mais elevadas do que os homens. Aqueles que vivem sozinhos são particularmente propensos.
“Em 4.500 participantes idosos sem histórico de doença cardíaca, aqueles que apresentavam sinais de depressão tinham um risco 40% maior de desenvolver doença coronariana.”
Curt D. Furberg, da Wake Forest University, liderou este estudo. Os dados eram nítidos. A depressão por si só quase duplicou o fator de risco neste grupo demográfico.
A galinha ou o ovo?
Um estudo realizado em Baltimore, Maryland, analisou pessoas de todas as idades. Descobriu-se que indivíduos deprimidos tinham quatro vezes mais probabilidade de sofrer um ataque cardíaco em 14 anos.
Um em cada três americanos morrerá de algum tipo de doença cardíaca. Os médicos muitas vezes erram o diagnóstico de depressão nesses pacientes. O problema é generalizado. Alguns pesquisadores argumentam agora que a depressão é um fator tão significativo nas doenças cardíacas quanto o colesterol alto ou a pressão alta.
A ligação é clara. A direção não é.
A depressão causou o ataque cardíaco? Ou o ataque cardíaco desencadeou a depressão?
A evidência sugere uma relação bidirecional. Pessoas que estão deprimidas têm maior probabilidade de sofrer um ataque cardíaco. Por outro lado, os sobreviventes de ataque cardíaco têm uma probabilidade significativamente maior de ficarem deprimidos após o evento.
É um ciclo vicioso. A fisiologia alimenta a psicologia. A psicologia altera a fisiologia.
Fibrose e luta ou fuga: a fisiologia encontra a psicologia

O coração humano depende de uma função inegociável para mantê-lo vivo: bombeamento eficiente. Ignore a noção romantizada de que o amor alimenta o coração. É mecânico. Um coração saudável se expande e contrai com a elasticidade de um elástico novo. Quando o tecido miocárdico perde essa flexibilidade, torna-se rígido. Esse enrijecimento é conhecido como fibrose.
Dados da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland complicam o quadro. Os investigadores analisaram 880 adultos e encontraram uma correlação clara: aqueles que sofrem de depressão são significativamente mais propensos a apresentar sinais de fibrose cardíaca.
O link da inflamação
Isso não é aleatório. É uma reação em cadeia fisiológica. Uma proteína do sangue chamada proteína C reativa (PCR) está intimamente ligada à inflamação no coração e nos vasos sanguíneos. Quando a inflamação aumenta, o corpo aumenta a produção de colágeno.
O colágeno é a proteína fibrosa que sustenta a pele, os ossos e os tendões. Ele fornece estrutura. O problema surge quando o colágeno se torna excessivo. Em vez de sustentar o tecido, calcifica e enrijece o músculo cardíaco. O estudo de Maryland confirmou que os adultos deprimidos apresentam níveis mais elevados de proteína C reativa do que os seus homólogos não deprimidos.
Citocinas e a conexão TNF-alfa
Outro estudo identificou uma segunda proteína que esclarece a ligação entre depressão e ataque cardíaco. Esta proteína é o fator de necrose tumoral alfa ou TNF-alfa. Pertence a um grupo de moléculas sinalizadoras chamadas citocinas.
As citocinas são produzidas pelos glóbulos brancos. Eles estimulam o sistema imunológico para combater lesões e infecções. Idealmente, isso é útil. Na prática, desencadeia inflamação. Já sabemos que a inflamação prejudica o coração.
Pessoas com insuficiência cardíaca geralmente apresentam níveis elevados de TNF-alfa. Pesquisadores da Ohio State University descobriram que indivíduos deprimidos também apresentam concentrações mais elevadas dessa proteína. A causalidade permanece obscura. A depressão causa a inflamação que leva à insuficiência cardíaca? Ou será que o declínio fisiológico da insuficiência cardíaca desencadeia a depressão que provoca mais inflamação? A direção da seta ainda não está clara.
A personalidade tipo D e o estresse crônico
A depressão raramente viaja sozinha. Muitas vezes combina com estresse e ansiedade. Os cientistas até categorizaram uma personalidade Tipo D, que significa “angustiado”.
Todo mundo experimenta mau humor ocasionalmente. Todo mundo sabe que isso exige um preço físico. Você perde o apetite. O sono foge de você. A pressão arterial sobe. A frequência cardíaca acelera. Os níveis de insulina e colesterol podem aumentar. Tudo isso decorre da interação de estresse e ansiedade.
Quando o estresse é agudo, seu corpo libera hormônios do estresse como adrenalina e cortisol. Seu coração trabalha horas extras. Esta é a resposta de lutar ou fugir. É um mecanismo de sobrevivência evolutivo. É necessário quando se enfrenta perigo físico imediato. Depois que a ameaça passa, os níveis de estresse caem.
A depressão e a ansiedade atrapalham esse botão de reinicialização. É como se o alerta de terror do corpo permanecesse permanentemente vermelho. O coração nunca descansa.
Depressão pós-ataque cardíaco
O ciclo se intensifica após um evento cardíaco. Muitos pacientes sofrem de depressão após um ataque cardíaco.

Os filmes nos treinaram para esperar drama. Um aperto repentino no peito. Um colapso. O fim. Mas os verdadeiros ataques cardíacos raramente são tão teatrais. Eles são sutis, confusos e muitas vezes ignorados até que seja tarde demais.
A desconexão entre Hollywood e a realidade é perigosa. Uma pesquisa da British Heart Association descobriu que quatro em cada dez pessoas obtêm conhecimento sobre ataques cardíacos no cinema e na TV. Essa é uma enorme lacuna na compreensão pública.
Na tela, os sintomas são altos. Na vida real, são sussurros. Dor torácica central é comum. O mesmo ocorre com a dor nos braços, pescoço ou mandíbula. Às vezes é apenas uma dor surda. Você pode nem perceber que isso está acontecendo. Você pode se sentir úmido. Falta de ar. Tonto. Muitos confundem isso com indigestão.
Por que a depressão surge após um ataque cardíaco
A sobrevivência não garante alívio. Cinquenta por cento das vítimas de ataque cardíaco sofrem de depressão após o evento. Vinte por cento sofrem de depressão grave.
Você pode pensar que se sentiria com sorte. Apenas para estar vivo. É mais complicado do que isso.
A autoculpa é comum. Anos ignorando a saúde. De auto-abuso. O corpo desmoronando. É um lembrete sombrio da mortalidade. Esta reação é normal. A menos que dure.
Se o mau humor persistir por mais de algumas semanas, torna-se um fator de risco. A Harvard Mental Health Letter relata que pacientes deprimidos admitidos por ataques cardíacos têm duas a quatro vezes mais probabilidade de morrer no próximo ano. O número é gritante.
O isolamento torna tudo pior. Homens que voltam para casa vazia têm o dobro da mortalidade de quem mora com alguém. Um estilo de vida isolado, longe de amigos e familiares, aumenta o risco de morte, independentemente da aptidão física.
O problema da galinha ou do ovo
Os cardiologistas têm demorado a resolver isso. Há uma razão lógica. A relação de causa e efeito é obscura.
Sabemos que a depressão leva a doenças cardíacas. Sabemos que doenças cardíacas levam à depressão. Mas o que vem primeiro?
A pesquisa não forneceu uma resposta biológica definitiva. Não há evidências concretas de que o tratamento isolado da depressão reduza a mortalidade relacionada ao coração. As teorias são abundantes. Os dados de longo prazo ainda estão se atualizando.
Então, qual é o caminho acionável? Você não pode esperar que a ciência resolva o debate. Você pode gerenciar o risco agora.
Assumindo o controle da saúde mental
Se você notar sinais de depressão, aja. Não espere que isso passe.
A psicoterapia é eficaz. Ajuda a combater a depressão que se segue ao trauma. A medicação também é uma opção. Os novos antidepressivos são muito mais seguros para o coração do que os medicamentos cardiotóxicos da década de 1980.
O exercício funciona em duas frentes. Combate doenças cardíacas. Combate a depressão. Se você estiver fora de forma, comece aos poucos. Caminhadas diárias. Construa a partir daí.
Mais importante ainda, não se isole. Entre em contato. Amigos e família são importantes. Os riscos são maiores do que apenas o seu estado de espírito. Sua vida também depende disso.
Muito mais informações
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Mais ótimos links
- Associação Americana do Coração
- FDA Saúde Cardíaca Online
- Associação Americana do Coração
-depressão.com - Instituto Nacional de Saúde Mental
Fontes
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